Por dentro da cultura de uma empresa que nasce em meio à pandemia

HYPR
4 min readFeb 16, 2021

Como a gestão de pessoas permitiu à HYPR atravessar tempos de incerteza e conquistar seu primeiro milhão em menos de três meses

Quando começaram a idealizar a HYPR, em março de 2020, seus fundadores não imaginavam como a pandemia transformaria radicalmente o ambiente de trabalho, as relações entre líderes e equipes e a criatividade. Mas não havia dúvida de que, apesar das adversidades, esta era uma oportunidade de criar uma nova cultura de gestão.

Enquanto a empresa especializada em stacks de marketing nascia digital, sem um escritório físico e com um time inteiro em home office devido ao distanciamento social, companhias tiveram que acelerar seus processos de digitalização para garantir condições essenciais de trabalho a seus funcionários remotamente e continuar atendendo aos clientes.

A HYPR foi fundada exatamente em 18 de maio. Em apenas 88 dias de existência, já havia faturado seu primeiro R$1 milhão. Foram mais de 250 reuniões remotas em nove meses e quase vinte contratos fechados com grandes empresas brasileiras, como Unilever, Natura e Santander. O que sustentou essa evolução? O foco no time desde o início da operação.

“Cultura é protagonista na criação de um ambiente que engaje e inspire cada pessoa do time a entregar seu melhor. Para uma empresa fundada em meio à pandemia, como a HYPR, o foco nos comportamentos certos e na construção de sistemas e práticas que facilitem a gestão se tornou ainda mais essencial para desenvolver a percepção interna de que todos fazem parte do sucesso do negócio e são essenciais para concretizar nossa visão de mercado”, ressalta Flávia Prado, líder da área de People & Operations da HYPR.

Essa mentalidade permitiu que a empresa implementasse projetos fundamentais para alicerçar uma cultura forte, mesmo quando todas as relações de trabalho ficaram restritas ao virtual. A empresa estabeleceu um programa de sociedade chamado “HYPR Partnership Program”, oferecendo oportunidades para que qualquer funcionário adquira ações da companhia e entre para a sociedade.

Outra política adotada é a de remuneração transparente. Na HYPR, essa estratégia é baseada em um percentual dos negócios gerados de acordo com as etapas do projeto em que a pessoa participa, onde o valor que cada uma recebe é compartilhado abertamente na empresa. “Essas iniciativas são fundamentais para sustentar a transparência e coerência que queremos ter na construção do nosso negócio. É natural que, para funcionar, devemos alinhar expectativas, trazer clareza para a jornada que queremos percorrer e combinar com o incentivo de outros comportamentos, como a capacidade de cada indivíduo em identificar oportunidades dentro dos recursos já existentes internamente no nosso time, para gerar valor”.

Os fundadores também optaram por não receber salário e distribuição de lucros até reunir o capital necessário para viabilizar um ano de operação como forma de garantir a segurança do time. “A pandemia mostrou que os líderes são responsáveis diretos pelo desenvolvimento de uma relação equilibrada entre produtividade, criatividade, motivação e resultados, tão necessária para atravessar tempos de incerteza e garantir a qualidade no atendimento aos clientes”, comenta Cesar Moura.

De mãos dadas com o RH

Em 2020, as relações precisaram ser reinventadas, seja entre marcas e consumidores, seja entre líderes e equipes. Organizações aprenderam a lidar com a instabilidade, reavaliaram políticas e regras postas para se adaptar a um cenário de crise e aperfeiçoar capacidades de serem mais resilientes.

Em áreas de atuação como as da HYPR — publicidade e marketing — o trabalho remoto aumentou ainda mais a necessidade de cultura organizacional bem estabelecida. A maioria das agências e startups, contudo, ainda não implementaram suas áreas de gestão de pessoas visando construir uma identidade entre os departamentos e engajar o time em torno dos mesmos objetivos.

Por via de regra, o processo criativo na publicidade e no marketing é totalmente associado ao espaço físico de um departamento ou agência, que funciona como uma espécie de “QG” onde as mentes inventivas elaboram novas ideias e conceitos e identificam oportunidades de negócios. Com todos os funcionários trabalhando remotamente, essas empresas tiveram que se desdobrar e garantir espaços de escuta e de colaboração e, principalmente, momentos de criação coletiva.

Adrian Ferguson, um dos fundadores da HYPR, acumula uma carreira de 27 anos no universo de agências como profissional de mídia entende que a visão de produtividade a respeito dos trabalhos criativos foi transformada para sempre com a pandemia. Ele destaca que ainda é comum em agências e departamentos de marketing uma ideia ultrapassada de poder e centralização, na qual as empresas ainda não oferecem opções de onde as pessoas preferem trabalhar e como querem conduzir sua produtividade.

Na HYPR, todos escolhem se querem trabalhar de casa ou do recém-alugado escritório em um prédio de coworking. A empresa iniciou esse projeto há um mês com o objetivo de avaliar os impactos de se ter um espaço físico nos resultados do negócio. O retorno do investimento de se ter um escritório ainda está sendo mensurado por três meses, mas já se validou que o aprendizado acontece de maneira mais orgânica quando o time participa de uma dinâmica externa à sua reunião agendada virtualmente e que as decisões são tomadas mais rapidamente. Ao final do experimento, haverá uma avaliação relacionada ao uso do espaço e os indicadores de performance da companhia.

“A gestão de pessoas tem um papel protagonista no trabalho criativo no sentido de fortalecer dinâmicas de colaboração e comunicação à distância e de fomentar a cultura interna, que é onde começa nossa capacidade de encantar o cliente e oferecer um alto nível de atendimento e entrega”, acrescenta Ferguson. “Nosso diferencial está no nosso time, por isso acreditamos que evoluir junto com práticas de gestão de pessoas desde o início é uma forma de nos adaptarmos aos novos tempos para perpetuar uma empresa sólida”.

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